Arte naïf é a arte feita por artistas autodidatas, isto é, que não passaram por uma formação acadêmica sistemática. Por conta da sua espontaneidade e criatividade autêntica, também ficou conhecida como arte ingênua. Neste artigo, vamos te explicar o que é arte naïf e falar um pouco sobre seu legado no Brasil.
A origem da Arte Naïf
Por ser uma arte espontânea, não é considerada um estilo, e sim uma expressão artística. Que teve como precursor o pintor francês Henri Rousseau (1844-1910), com obras como a sua tela Um dia de Carnaval (imagem abaixo).

Um dia de Carnaval, 1886 – Henri Rousseau
Curiosamente, muitas pinturas de Rousseau despertaram a ironia de críticos acadêmicos, que o chamaram de naïf, enquanto outros artistas admiravam suas obras. Daí surgiu a expressão arte naïf, palavra francesa que tem como significado algo que é “ingênuo ou inocente”. Ou seja, representa a liberdade artística desse movimento, que pode ser observada na maneira como são utilizadas as cores nas composições e na dimensão fantasiosa que é projetada em muitos trabalhos.
Depois do seu surgimento e popularização na França, a arte naïf ganhou o mundo, sobretudo os Estados Unidos, o Haiti, a antiga Iugoslávia e o Brasil.
A Chegada da Arte Naïf no Brasil
Na década de 1920, o pintor português José Bernardo Cardoso Júnior, Cardosinho (1861 – 1947), foi considerado precursor dessa corrente artística no Brasil. Pintor de naturezas-mortas, como vasos de flores e janelas abertas mostrando oceanos revoltos.

Natureza-morta – Cardosinho
A expressão artística naif ganhou força em todas as regiões do país em meados dos anos 50. Nas pinturas brasileiras é possível ver paisagens urbanas, rurais, e grande diversidade de árvores, pássaros, flores e animais. Sempre de acordo com a imaginação e vivência do artista.
Infelizmente, os artistas brasileiros não receberam o reconhecimento merecido na época. Pois os salões de arte não valorizavam as obras de pessoas que se situavam fora do circuito tradicional de arte. Atualmente temos a Galeria Jacques Ardies (São Paulo-SP) e o evento BINaïf (Bienal Internacional de Arte Naïf) que se dedicam exclusivamente ao movimento Naïf.
Confira a lista dos principais artistas dessa corrente no Brasil:
Alexandre Filho (1932):
Foi um dos precursores do estilo naif no Brasil, o primeiro a pintar dessa maneira e em pouco tempo foram surgindo outros artistas com o trabalho parecido com o seu. Manoel Alexandre Filho nasceu em Bananeira, Paraíba, onde trabalhou na lavoura com o seu pai até os 17 anos. Desenhava desde criança, mas só passou a pintar autodidaticamente quando veio para o Rio de Janeiro, em 1964. Nas suas obras é possível observar diversos elementos da sua cidade natal, como os animais típicos da região e plantas muito comuns por lá, como o caju. Suas pinturas foram expostas em cidades como Madri, Paris e Lisboa.

Sereia com Tatu, 1977 – Alexandre Filho
Chico da Silva (1910 – 1985):
Foi outro artista muito importante para a época. Acreano, filho de mãe cearense com um índio do Acre, Chico foi para Fortaleza com 6 anos de idade. Era operário e fazia pinturas murais em casas populares, nas horas vagas. Utilizando carvão, giz, tintas precárias mas com um desenho original. Pintava dragões, sereias, peixes voadores, figuras ameaçadoras e de grande densidade e formas. Chegou a criar uma escola em Fortaleza, em que seus alunos pintavam e ele apenas assinava. Mas seu gosto pela vida boêmia não deixou sua carreira ir longe.

Sem Título, 1967 – Chico da Silva
Maria Auxiliadora (1935 – 1974):
Mineira que migrou aos três anos para São Paulo, afirmou que não tinha lembranças de Minas Gerais. Então, pintava através das histórias da mãe sobre as colheitas e festas juninas. Desenvolveu técnica original de pintura em relevo com uso de cabelo.

Colheita de Flores – Maria Auxiliadora
José Antonio da Silva (1909 – 1996):
Um dos ícones da história da arte naïf paulista, além de pintor foi escritor. Há quem o considere o artista naïf mais importante do Brasil. Sua influência foi tanta que foi tema de filmes e reportagens em jornais e revistas, e estudado em livros de arte. José Antônio pintava cenas da vida rural, com cores vivas, às vezes com caráter de fantasia e outrora com tom de ironia.

Boiada, 1955 – José Antônio da Silva
Djanira da Motta e Silva (1914 – 1979):
Nasceu em Avaré, São Paulo. Ao longo da sua vida, viveu em Santa Catarina, Rio de Janeiro e Nova Iorque. Além de fazer muitas viagens pelo interior do Brasil e pelo exterior. Devido ao contato com tantas culturas, nas suas pinturas é possível ver traços diversos. Ela fez pinturas inspiradas em religião, festas folclóricas, pescadores, colhedores de café, batedores de arroz, vaqueiros, o cotidiano dos tecelões, etc.

Parque de Diversões, 1947 – Djanira da Motta e Silva
Conclusão
Como vimos, a arte naïf ou arte ingênua teve uma variedade de artistas pelo Brasil e pelo mundo afora. Geralmente representando a cultura e o ambiente em que esses artistas se encontravam.
Com muitas cores e grande variação de temas, traços e curvas, não há um padrão para a arte naïf. Por isso, ela não pode ser considerada um estilo artístico, e sim uma expressão ou corrente artística caracterizada por artistas/ pintores autodidatas.
Aqui no Brasil, surgiram artistas da Paraíba, Ceará, São Paulo, Acre, Rio de Janeiro, Minas Gerais, etc. Pintores de diversas regiões, com histórias de vida diversas trazendo muita diversidade de temas e estilos nas obras naïf.
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